sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Candomblé herança da escravidão




Candomblé herança da escravidão

No tempo da escravidão muitos negros foram caçados e trazidos da África para o nosso país. O cativeiro levou-os a se revoltarem contra os dominadores brancos. A mais importante dessas revoltas ocorreu em janeiro de 1835. Organizada por africanos de formação muçulmana - Os Malês - a rebelião foi dizimada pelas tropas do governo, com o apoio das classes dominantes baianas. Vendo que a união de um determinado grupo na mesma região da África causa problemas aos senhores, o governo desenvolveu a política de reunir em cada senzala negros de diversas etnias.

Neste momento histórico os negros vindo de diversas região da África com seus deuses, os orixás, se encontram unidos apenas pela condição do cativeiro. Contrariando todas as opressões sofridas, toda tentativa de disseminação da cultura, os negros lutaram e juntos nas senzalas conseguiram se unir surgindo assim o candomblé, que é a união de vários orixás em um determinado espaço, terreiro.

Dizem os mitos que no inicio dos tempos havia apenas um deus, um deus supremo que os afro-brasileiros chamam de Olorum, o dono do céu. Foi Olorum quem criou os deuses orixás e entregou a eles a criação do mundo. Assim um certo orixá cuida do raio, outro da chuva, outro do mar, das colheitas , do comercio, da justiça etc. Desde então Olorum não mais se intrometeu no que acontece na vida dos homens, preferindo deixar tudo nas mãos dos orixás.

Com o passar do tempo, a religião que eles criaram no Brasil foi deixando de ser uma religião só de descendentes africanos passando a ser uma religião de brasileiros. No candomblé, na umbanda e em outras religiões afro-brasileiras, os orixás passaram a ser cultuados por negros, brancos, amarelos e mestiços.

Durante as cerimônias nos terreiros, templos da religião dos orixás, os orixás se manifestam no corpo de seus filhos. Eles vêm para dançar junto com os humanos, para celebrar a união dos homens com seus deuses. As celebrações nos barracão, os toques, consistem numa seqüência de danças, em que, um por um, são honrados todos os orixás, sendo vestidos com roupas de cores específicas, usando nas mãos ferramentas e objetos particulares a cada um deles, expressando-se em gestos e passos que reproduzem simbolicamente cenas de suas biografias míticas. Essa seqüência de música e dança, sempre ao som dos tambores é designada Xirê, que em iorubá significa “vamos dançar”.

Hoje em dia um em cada cem brasileiros adora os orixás e freqüenta os terreiros para cultuá-los. Muitos outros, mesmo não fazendo parte da religião dos orixás, vão aos terreiros de candomblé em busca de ajuda e proteção dos deuses africanos.

Mais isso nem sempre foi assim houve uma época em que o candomblé uma religião proibida pela igreja católica, e perseguidas pelos poderes publicos , o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. É agora uma das religiões principais estabelecidas na Bahia, com seguidores de todas as classes sociais e de milhares de templos. Na cidade do Salvador existem 1.138 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros.

No candomblé, cada terreiro tem plena autonomia administrativa, ritual e doutrinária, tudo depende das decisões pessoais da mãe ou pai-de-santo. O controle social exercido entre terreiros, no conjunto geral do chamado povo-de-santo, se faz por redes informais de comunicação, em que a fofoca ocupa lugar privilegiado, sem que a independência do sacerdote-chefe de terreiro, contudo, sofra realmente qualquer limitação eficaz. Assim, cada comunidade de culto é livre para experimentar inovações ou retornar as formas anteriores, incorporando práticas que para outros da mesma religião podem não fazer o menor sentido.

O lado público do candomblé é visto por alguns como festivo, bonito, esplendoroso, mágico. Os orixás do Candomblé, os rituais, os terreiros, e as festas agora são vistos como uma parte integrante da cultura local e parte do folclore brasileiro. Por um lado podemos considerar esse fato como positivo, pois fortifica e fortalece a religião que já não mais poder ser perseguida. Por outro lado essa visibilidade o candomblé acaba , sendo confundido com manifestação folclórica ou forma de arrecadar dinheiro por quem anda faturando com visitas a terreiros.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Lenda da Criação



A Lenda da Criação
(Baseada em conhecimentos empíricos sobre o Candomblé e em obras literárias diversas sobre os mitos yorubás)

Ao contrário do que se pensa, o Candomblé é uma religião monoteísta, ou seja, seus fiéis acreditam em um único Deus Supremo, chamado por muitos nomes em virtude de contrações e adaptações das línguas africanas, principalmente o yorubá. Os dois nomes mais conhecidos do Ser Supremo são Olodumaré e Olorum. A palavra Olodumaré é contração das palavras Ol' (oni) odu mare (ou ma re ou mo are). A palavra Ol' (oni) significa senhor, parte principal, líder absoluto, chefe, autoridade. Odu traduz-se como algo muito grande, um recipiente profundo, algo muito extenso, pleno. A parte final do nome Olodumaré parece ser originada tanto de mare (aquele que é absolutamente perfeito, o supremo em qualidades), quanto das combinações ma re (aquele que permanece, aquele que sempre é) ou mo are, que é aquele que tem autoridade absoluta sobre tudo o que há no céu e na terra e é incomparável. Já o nome Olorum é resultado da contração de Ol' (oni) e Orum, que quer dizer céu, designando o Senhor do Céu.
Assim como nas demais religiões monoteístas, segundo o Candomblé, Olodumaré criou o mundo material e tudo que está nele, inclusive o homem. Para ajudá-lo nessa tarefa, Olodumaré criou também os Orixás, forças sobrenaturais que habitavam o Orum (Céu) e se concretizaram associados às forças da natureza e seus elementos, manifestando-se através desses.
Pois bem. Conta a lenda que no princípio dos tempos existiam dois mundos: o Orum, espaço sagrado dos orixás, e o Aiyê, espaço dos seres vivos. No Aiyê primitivo só existia água. Um dia Olodumaré resolveu recriar o espaço para a humanidade que também criaria. Incumbiu, então, seu filho primogênito, Orixanilá (o nome mais sagrado de Oxalá) da execução dessa tarefa. Entregou-lhe uma cabaça contendo ingredientes especiais: a terra escura inicial, a galinha de cinco dedos, uma pomba e um camaleão. A terra escura deveria ser lançada sobre a imensidão das águas. A galinha de cinco dedos deveria ir ciscando a terra para alargá-la o mais que pudesse. A pomba, ao voar, orientaria a extensão da terra expandida e criaria o ar. E o camaleão, atento a tudo, observaria a execução da tarefa atribuída a Orixanilá, para reportar os fatos a Olodumaré. Assim foi explicado e, com seu cajado (opaxorô) e a cabaça da criação, Orixanilá iniciou sua caminhada do Orum para o Aiyê. Passou por Bará (Exu) e não pagou as oferendas devidas, mesmo tendo consultado Ifá e sabendo que devia fazê-lo. Em conseqüência disso, no meio do caminho Orixanilá sentiu-se cansado e com sede. Parou para descansar, bebeu um pouco de emu (vinho da palmeira do dendezeiro) e, embriagado, adormeceu. Seu irmão caçula, Oduduà (mais um nome da família de Oxalá), tendo-o seguido, recolheu a cabaça da criação e levou a notícia do ocorrido a seu pai, Olodumaré, pedindo a ele que o deixasse cumprir pelo irmão aquela tarefa de grande importância. Olodumaré concordou e, enquanto Orixanilá dormia, Oduduà criou a terra dos seres vivos. Depois de a galinha ciscar a terra, a pomba orientar a expansão do ar e o camaleão, que deu origem ao elemento fogo, verificar se a tarefa fora cumprida, surgiu a terra firme ou Ilê Ifé (que no idioma yorubá significa "terra que foi sendo ciscada"). Orixanilá então, vendo o mundo pronto, mostrou-se arrependido do seu ato de irresponsabilidade perante o pai. E, para que não se sentisse tão humilhado, Olodumaré resolveu, em um supremo ato de inspiração, dar a Orixanilá uma tarefa de tanta importância quanto a primeira: a de criar o homem que habitaria o Aiyê. Orixanilá usou o barro e a água para esculpir bonecos inanimados de todas as formas e de todas as cores. Olodumaré, então, soprou a vida nas narinas dos bonecos de barro, criando os seres humanos. Esse sopro da vida é chamado pelos yorubás de emi. Estavam então criados o mundo e o homem.