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segunda-feira, 26 de março de 2012

Obrigada por tudo !!!



Eu sou descendente Zulu
Sou um soldado de Ogum
Um devoto dessa imensa legião de Jorge
Eu sincretizado na fé
Sou carregado de axé
E protegido por um cavaleiro nobre

Sim vou à igreja festejar meu protetor
E agradecer por eu ser mais um vencedor
Nas lutas nas batalhas
Sim vou ao terreiro pra bater o meu tambor
Bato cabeça firmo ponto sim senhor
Eu canto pra Ogum

Ogumm
Um guerreiro valente que cuida da gente que sofre demais

Ogumm
Ele vem de aruanda ele vence demanda de gente que faz

Ogumm
Cavaleiro do céu escudeiro fiel mensageiro da paz

Ogumm
Ele nunca balança ele pega na lança ele mata o dragão

Ogumm
É quem da confiança pra uma criança virar um leão

Ogumm
É um mar de esperança que traz abonança pro meu coração

Deus adiante paz e guia
Encomendo-me a Deus e a virgem Maria minha mãe ..
Os doze apóstolos meus irmãos
Andarei nesse dia nessa noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas as armas de são Jorge
São Jorge sentou praça praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tendo pé não me alcancem
Tendo mãos não me pegue não me toquem
Tendo olhos não me enxerguem
E nem em pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançara
Facas e lanças se quebrem se o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem se ao meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é da Capadócia




domingo, 18 de dezembro de 2011

Oxum

Oxum nasce de Iemanjá e é curada por Ogum
Segue abaixo um dos mitos do nascimento de Oxum, uma das mais belas e vaidosas deusas do panteão Iorubá, retirado do livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi.


Oxum foi a primeira filha de Iemanjá.
Mas sua concepção foi bem difícil.
Como Iemanjá não conseguia engravidar, foi aconselhar-se com os adivinhos.
Eles a mandaram levar ebó no rio a cada cinco dias.
Ao rio ela devia ir acompanhada de crianças.
Devia levar na cabeça um pote pintado de branco, para nele trazer água fresca para beber e para banhos.

Depois de muita espera, Iemanjá engravidou, mas continuou cumprindo as determinações de Ifá.
Um dia depois de entregar as oferendas, sentiu as dores do parto.
Pediu às crianças que se afastassem
e sozinha deu à luz Oxum.
Depois de três dias, o umbigo de Oxum começou a sangrar.
Nem os cuidados extremosos de Iemanjá resolveram.
Nada estancava o sangramento.
Iemanjá foi consultar Ifá de novo.
Foi recomendado que banhasse a criança com água fria e procurasse a ajuda de Ogum.
Ogum não se furtou a ajudar Iemanjá.
Foi aconselhar-se com Ossaim e na mata colheu folhas de língua-de-vaca, que ele macerou junto com pimentas verdes.
Com o remédio preparado por Ogum, Oxum sarou.
Oxum cresceu sadia e ficou moça bonita.
Oxum é a primeira filha de Iemanjá.


Ora iê iê ô! ("Salve a Senhora da Bondade!", em Iorubá)




O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Estas mulheres são símbolos do charme e da beleza, pois carregam o dom especial de sua Deusa. Elas andam e dançam dos modos mais excitantes e provocantes. No seu caminhar está o fluxo do rio. Ninguém consegue escapar de seus encantos.

Oxum é a Senhora da fertilidade, da gestação e do parto, cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescante. Jovem e bela mãe, mantém suas características de adolescente. Cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer.

Vaidosa, é a mais bela das divindades e a própria malícia da mulher-menina. É sensual consciente de sua rara beleza e se utiliza desses atributos com jeito e carinho para seduzir as pessoas e conseguir seus objetivos. Com Oxóssi, vive seus momentos mais felizes.

Oxum é um dos orixás de maior força no Brasil e contradiz as tradições africanas que exaltam mais os poderes dos orixás masculinos. Todos seus filhos são atrativos e têm facilidade para formar famílias unidas. Diplomáticos e cuidadosos, medem muito bem o que falam e evitam os atritos frontais, sempre tratando de seus interesses com cuidado e sutileza.

Sua beleza física e interior pode ser um passaporte para muitos mundos, mas também sobrevém-lhe uma palpável alienação. Uma vez que muitos homens a desejarão pela beleza física e as mulheres a odiarão pelo mesmo motivo, muitas vezes a mulher-Oxum poderá duvidar do seu real valor.

Graças ao seu talento em manobrar os sentimentos e os projetos criativos no homem, a mulher-Oxum pode despertar o "anima" (princípios femininos) do homem. Quando o homem começa a entrar em contato com a sua "anima", a mulher-Oxum passará a ser sua musa inspiradora, ajudando-o com novas idéias e trabalho criativo.

A Deusa-Oxum herdou ainda, as qualidades guerreiras da Deusa grega Ártemis, qualidades essas, possivelmente decorrentes do meio em que vivia e de ter sido casada com um Deus da Floresta e da Caça, com quem teve um filho. Como Deusa-Guerreira, Oxum protege os rebentos dos animais e as crianças humanas.

Como guerreira, Oxum desenvolve seus princípios masculinos "animus", despertando-lhe um amor intenso pela liberdade, pela independência e autonomia. Oxum passa então a ser "A Bela que é Fera", pois brigará e lutará para preservar sua liberdade. Engolindo suas lágrimas, ela seduzirá seus adversários, planejando vinganças pelas humilhações que lhe fizeram passar.



Oh, deixe-me deliciá-la

com minha beleza

de modo que o olho possa dançar de alegria

deixe-me seduzi-la com perfumes

para que você inspire prazer

deixe-me excitar seu paladar

até sua língua tremer

deixe-me acariciá-la com um som

que faça seus ouvidos zunirem

deixe-me tocar o seu corpo

com a música da cachoeira

e adornar sua beleza com

braceletes dourados e mel e perfume

e quando estiver tudo feito

quando todos os seus sentidos tiverem sido despertados

quando seu espírito celeste se unir de modo jubiloso

com seu corpo terrestre

então você conhecerá a sensualidade.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Lenda da Criação



A Lenda da Criação
(Baseada em conhecimentos empíricos sobre o Candomblé e em obras literárias diversas sobre os mitos yorubás)

Ao contrário do que se pensa, o Candomblé é uma religião monoteísta, ou seja, seus fiéis acreditam em um único Deus Supremo, chamado por muitos nomes em virtude de contrações e adaptações das línguas africanas, principalmente o yorubá. Os dois nomes mais conhecidos do Ser Supremo são Olodumaré e Olorum. A palavra Olodumaré é contração das palavras Ol' (oni) odu mare (ou ma re ou mo are). A palavra Ol' (oni) significa senhor, parte principal, líder absoluto, chefe, autoridade. Odu traduz-se como algo muito grande, um recipiente profundo, algo muito extenso, pleno. A parte final do nome Olodumaré parece ser originada tanto de mare (aquele que é absolutamente perfeito, o supremo em qualidades), quanto das combinações ma re (aquele que permanece, aquele que sempre é) ou mo are, que é aquele que tem autoridade absoluta sobre tudo o que há no céu e na terra e é incomparável. Já o nome Olorum é resultado da contração de Ol' (oni) e Orum, que quer dizer céu, designando o Senhor do Céu.
Assim como nas demais religiões monoteístas, segundo o Candomblé, Olodumaré criou o mundo material e tudo que está nele, inclusive o homem. Para ajudá-lo nessa tarefa, Olodumaré criou também os Orixás, forças sobrenaturais que habitavam o Orum (Céu) e se concretizaram associados às forças da natureza e seus elementos, manifestando-se através desses.
Pois bem. Conta a lenda que no princípio dos tempos existiam dois mundos: o Orum, espaço sagrado dos orixás, e o Aiyê, espaço dos seres vivos. No Aiyê primitivo só existia água. Um dia Olodumaré resolveu recriar o espaço para a humanidade que também criaria. Incumbiu, então, seu filho primogênito, Orixanilá (o nome mais sagrado de Oxalá) da execução dessa tarefa. Entregou-lhe uma cabaça contendo ingredientes especiais: a terra escura inicial, a galinha de cinco dedos, uma pomba e um camaleão. A terra escura deveria ser lançada sobre a imensidão das águas. A galinha de cinco dedos deveria ir ciscando a terra para alargá-la o mais que pudesse. A pomba, ao voar, orientaria a extensão da terra expandida e criaria o ar. E o camaleão, atento a tudo, observaria a execução da tarefa atribuída a Orixanilá, para reportar os fatos a Olodumaré. Assim foi explicado e, com seu cajado (opaxorô) e a cabaça da criação, Orixanilá iniciou sua caminhada do Orum para o Aiyê. Passou por Bará (Exu) e não pagou as oferendas devidas, mesmo tendo consultado Ifá e sabendo que devia fazê-lo. Em conseqüência disso, no meio do caminho Orixanilá sentiu-se cansado e com sede. Parou para descansar, bebeu um pouco de emu (vinho da palmeira do dendezeiro) e, embriagado, adormeceu. Seu irmão caçula, Oduduà (mais um nome da família de Oxalá), tendo-o seguido, recolheu a cabaça da criação e levou a notícia do ocorrido a seu pai, Olodumaré, pedindo a ele que o deixasse cumprir pelo irmão aquela tarefa de grande importância. Olodumaré concordou e, enquanto Orixanilá dormia, Oduduà criou a terra dos seres vivos. Depois de a galinha ciscar a terra, a pomba orientar a expansão do ar e o camaleão, que deu origem ao elemento fogo, verificar se a tarefa fora cumprida, surgiu a terra firme ou Ilê Ifé (que no idioma yorubá significa "terra que foi sendo ciscada"). Orixanilá então, vendo o mundo pronto, mostrou-se arrependido do seu ato de irresponsabilidade perante o pai. E, para que não se sentisse tão humilhado, Olodumaré resolveu, em um supremo ato de inspiração, dar a Orixanilá uma tarefa de tanta importância quanto a primeira: a de criar o homem que habitaria o Aiyê. Orixanilá usou o barro e a água para esculpir bonecos inanimados de todas as formas e de todas as cores. Olodumaré, então, soprou a vida nas narinas dos bonecos de barro, criando os seres humanos. Esse sopro da vida é chamado pelos yorubás de emi. Estavam então criados o mundo e o homem.